Há duas décadas, o casal Mercedes (64), e Darci Padoan (70), mantém uma rotina de trabalho dedicada ao cultivo de goiabas na comunidade de Linha Maracanã, no interior de Roca Sales. Com cerca de 350 pés da fruta, eles transformaram a atividade em uma importante fonte de renda e, ao mesmo tempo, em uma ocupação que lhes proporciona satisfação diária.
Na reta final da colheita, o casal explica que a safra ocorre principalmente no mês de março, período em que a produção é classificada conforme o estágio de maturação. “As frutas mais verdes, menos verdes e de tamanho menor são destinadas a fruteiras dos municípios de Bento Gonçalves e Garibaldi. Já as goiabas maduras são encaminhadas para a empresa Bom Princípio Alimentos, onde são utilizadas na fabricação de chimias e goiabadas”, explica.
Segundo o casal, a demanda por frutas maduras é constante, inclusive por parte de produtores e empresas de outros municípios interessados na elaboração de doces artesanais. “Temos bastante pedidos de goiabas maduras para fazer goiabada. Quando temos disponibilidade, avisamos e eles vêm buscar”, relatam.
O trabalho no pomar é contínuo e requer atenção em diferentes épocas. Em agosto, é realizada a poda das plantas, procedimento considerado essencial para estimular o desenvolvimento e garantir uma boa produtividade na safra seguinte.
Além da poda, os produtores destacam a importância de manter os pés limpos e bem adubados. Após a colheita, as frutas passam por uma criteriosa classificação antes de serem comercializadas.
O casal conta ainda com o apoio técnico da EMATER/RS-Ascar, que orienta sobre o manejo adequado, o controle de insetos e o tratamento de doenças que eventualmente surgem nas plantas. “Às vezes aparecem alguns problemas, como doenças nos pés. Nessas situações, buscamos mais informações sobre o tratamento para manter a produção saudável”, explicam.
De acordo com Engenheiro Agrônomo e chefe do Escritório Municipal da EMATER/RS-Ascar, Guilherme Kunde Miritz, a goiabeira é uma cultura que prefere temperaturas elevadas, boa incidência solar e disponibilidade constante de água. “Por não tolerar geadas, o clima do Vale do Taquari apresenta condições favoráveis para o cultivo, especialmente pela proximidade com o Rio Taquari, que contribui para manter temperaturas mais estáveis”, explica.
Entre as variedades mais adaptadas à região estão a Paluma, indicada tanto para consumo in natura quanto para a indústria, e a Pedro Sato, recomendada principalmente para mesa. Segundo a assistência técnica, a poda no fim do inverno e início da primavera, aliada a uma adubação equilibrada, é determinante para o início de um novo ciclo produtivo. Durante a safra, podas de limpeza e a retirada de ramos ladrões também contribuem para melhorar a qualidade dos frutos.
Safra de 2026 supera expectativas
De acordo com Mercedes e Darci, a safra de 2026 foi considerada excepcional. “Foi uma super safra, produziu muito bem”, afirmam.
Durante o período de maior maturação, a colheita das frutas maduras é feita, em média, uma vez por semana. Um dos diferenciais do pomar é a altura das plantas, que permite a retirada das goiabas diretamente do chão, sem a necessidade de escadas, tornando o trabalho mais prático e seguro.
Antes de se dedicarem à goiaba, Mercedes e Darci já cultivaram outras culturas, como fumo, pêssego e uva. Para eles, no entanto, o trabalho com a fruta se destaca pela leveza da atividade.
“Trabalhar com goiaba é muito bom. É um trabalho que não cansa”, comenta o casal. A rotina começa cedo. “Que Deus dá força para nós. Como é bom acordar às cinco da manhã e saber que temos que colher goiabas lá no mato”, diz Mercedes.
Mesmo nos dias mais frios, o entusiasmo permanece. “É muita alegria. Não sentimos frio, sentimos satisfação de colher”.
Além do cultivo de goiabas, a família também mantém aproximadamente 100 pés de bergamota, reforçando a diversificação da produção agrícola na propriedade.








